As cartas que apresentaram Ummo ao mundo
Foi através de cartas que a civilização de Ummo foi apresentada ao público terrestre. A partir de 1966, Fernando Sesma, conhecido divulgador de temas ufológicos em Madri, começou a receber correspondências datilografadas de remetentes que afirmavam pertencer a uma civilização do planeta Ummo. Sesma promovia as reuniões da La Ballena Alegre, no Café Lion, ponto de encontro de interessados em OVNIs e contatos extraterrestres, e foi o principal destinatário da primeira grande série de documentos. As cartas eram enviadas pelo correio, muitas vezes dirigidas a pessoas específicas e identificadas pelo característico símbolo de Ummo. Aos poucos, cópias passaram a circular entre pesquisadores e participantes dessas reuniões, enquanto novos destinatários começaram a receber outros textos.
O cotidiano de uma civilização distante
Imagine um mundo onde o dia dura quase 31 horas, as casas podem recolher-se parcialmente ao solo e girar para mudar a paisagem vista pelas janelas, e os móveis permanecem escondidos sob o piso até serem chamados. O trabalho diário costuma ocupar menos de quatro horas. Perfumes são combinados como nós combinamos notas musicais. Alimentos chegam às residências através de uma rede subterrânea automatizada. Crianças estudam em colônias educacionais distantes dos pais. Uma gigantesca rede de computadores participa da administração do planeta, enquanto religião, ciência e vida cotidiana se entrelaçam de maneira quase inseparável.
Dentro da literatura de contato, poucas nações estelares foram descritas com tamanho nível de detalhe. Os documentos não tratavam apenas de discos voadores ou encontros com visitantes. Falavam sobre arquitetura, psicologia, refeições, história, governo, cosmologia, engenharia, religião, educação, sexualidade, linguagem e até sobre aquilo que seus autores consideravam as limitações culturais de sua própria civilização.
Essa característica torna os Ummitas diferentes de muitos povos de Nações Estelares. O material associado a Ummo permite observar não apenas grandes temas — como ciência, cosmologia ou viagens espaciais — mas aspectos pequenos e concretos da existência: como seus habitantes viveriam, estudariam, trabalhariam, formariam famílias e organizariam sua vida diária.
Ummo e Iumma: um planeta ao redor de Wolf 424
Nas cartas clássicas, Ummo é o planeta e Iumma é sua estrela.
Em uma das primeiras cartas, os autores afirmam que Iumma estaria a aproximadamente 14,42 anos-luz do Sol e fornecem coordenadas que a relacionam ao sistema que conhecemos como Wolf 424. O planeta seria rochoso, teria uma atmosfera comparável à terrestre e cerca de 62% de sua superfície seria coberta por mares, restando um grande continente e áreas insulares. A mesma carta afirma que um dia em Ummo corresponderia a aproximadamente 30,92 horas terrestres.
Wolf 424 existe realmente. Trata-se de um sistema binário formado por duas pequenas e pouco luminosas anãs vermelhas, localizado na constelação de Virgo a cerca de 14,37 anos-luz da Terra.
A proximidade entre a distância atualmente atribuída a Wolf 424 e aquela apresentada nas cartas é frequentemente citada pelos interessados no caso. Entretanto, isso não constitui evidência da existência de Ummo: Wolf 424 já era conhecido pela astronomia quando os documentos começaram a circular, e nenhum planeta habitado chamado Ummo foi confirmado.
As próprias cartas, porém, nem sempre concordam entre si. Alguns dados astronômicos e físicos variam de um documento para outro, algo importante de ter em mente ao explorar o material de Ummo. Afinal, estamos diante de centenas de textos produzidos e recebidos ao longo de muitos anos, e não de uma descrição única e totalmente uniforme dessa suposta civilização.
Como os Ummitas são descritos
Nas cartas clássicas, os habitantes de Ummo são descritos como fisicamente muito semelhantes aos humanos da Terra, diferenciando-se apenas por algumas particularidades anatômicas. Uma delas envolveria a fala: segundo as cartas, grande parte dos adultos perderia progressivamente a capacidade natural de produzir uma voz normal. Pequenos equipamentos instalados na região da garganta permitiriam amplificar sons e produzir frequências ultrassônicas que também serviriam para controlar aparelhos. Os documentos relacionam essa característica ao desenvolvimento de outras formas de comunicação e atribuem aos Ummitas capacidades telepáticas.
Décadas depois, Elena Danaan acrescentou uma descrição física bem mais específica. Em A Gift from the Stars, publicado em 2020, ela descreve os Ummitas como principalmente loiros e destaca uma testa excepcionalmente alta como sua característica física mais reconhecível. Seus olhos manteriam proporções semelhantes às humanas, e sua expectativa de vida seria de aproximadamente duzentos anos.
Em apresentações posteriores, Danaan reforçou esse retrato, descrevendo-os como humanos altos, de cabelos loiros e olhos claros, novamente com a grande testa como principal traço distintivo.
É importante separar essas duas descrições. Nas cartas clássicas, os Ummitas aparecem essencialmente como pessoas de aparência humana, com diferenças anatômicas relativamente discretas. A testa muito pronunciada, que se tornou tão característica nas representações contemporâneas dos Ummitas, aparece claramente na descrição posterior de Elena Danaan.
Uma civilização administrada pela informação
Se existe uma característica que atravessa muitas das descrições de Ummo, é a presença da informação em praticamente todos os aspectos da vida. As cartas falam de uma gigantesca rede planetária chamada XANMOO AYUBAA, ou formas semelhantes conforme a transcrição, que funcionaria como sistema de informação, arquivo e infraestrutura administrativa, sendo utilizada por cidadãos, instituições e pelo próprio governo.
Isso não significaria, porém, que computadores governassem o planeta. A organização política descrita nas cartas envolveria diferentes órgãos de administração e participação social, incluindo um pequeno grupo de dirigentes, um conselho mais amplo e uma estrutura legislativa formada pelos adultos considerados aptos a participar. Até os dirigentes estariam submetidos às leis estabelecidas por esse sistema, tornando a organização política de Ummo bem mais complexa do que a ideia simplificada de que apenas quatro pessoas governariam o planeta.
O dinheiro também não existiria exatamente como na Terra. Os documentos falam de registros matemáticos de contribuição, capacidade e acesso a determinados bens administrados pela rede planetária. Seus próprios autores alertam que comparações com contas bancárias terrestres são apenas aproximações para facilitar a explicação.
A automatização teria reduzido drasticamente a quantidade de trabalho necessário. Segundo as cartas, a jornada profissional comum ocuparia aproximadamente entre duas horas e meia e quatro horas terrestres por dia, deixando grande parte do tempo para família, estudo, religião, formação técnica, jogos e outras atividades.
Curiosamente, a sociedade de Ummo não é descrita simplesmente como uma utopia perfeita. Os próprios documentos contam períodos de autoritarismo e conflitos históricos, além de apresentarem costumes sociais que hoje podem soar bastante rígidos ou datados.
Como seria viver em Ummo?
Talvez nenhuma parte do caso seja tão fascinante quanto as cartas dedicadas à vida cotidiana. As residências, chamadas XAABI, seriam estruturas semelhantes a torres ou grandes cogumelos. Em determinados modelos, partes da construção poderiam elevar-se, recolher-se ou alterar sua orientação. Os moradores conseguiriam modificar a disposição interna sem precisar manter cômodos permanentemente destinados à mesma função.
Uma sala poderia tornar-se dormitório, espaço de meditação, cozinha ou área de lazer. Quando não utilizados, móveis e equipamentos permaneceriam ocultos sob o piso e emergiriam mediante comandos.
A automação se estenderia à alimentação. Produtos cultivados ou produzidos longe das residências viajariam por tubulações subterrâneas, em recipientes transportados por sistemas comparados nas cartas aos tubos pneumáticos terrestres. Um fruto mencionado repetidamente é o INOWII, descrito como possuidor de polpa amarela e casca marrom rugosa.
As refeições teriam também um componente psicológico. Antes de comer, a família permaneceria alguns momentos em silêncio, procurando recordar experiências agradáveis para criar um ambiente emocional tranquilo. Certos alimentos líquidos seriam consumidos através de longos tubos flexíveis conectados a recipientes que mantinham sua temperatura.
Talvez a arte cotidiana mais original de Ummo estivesse no uso dos perfumes. As cartas descrevem uma tradição de combinar aromas e estímulos olfativos segundo regras estéticas. Banhos de vapor seriam acompanhados por sequências de fragrâncias, formando algo comparável a uma composição musical feita para o olfato. Os próprios autores, entretanto, admitem que os seres humanos da Terra teriam atingido uma sofisticação musical muito superior.
Esse detalhe é especialmente interessante porque quebra a imagem simplista de extraterrestres “superiores em tudo”. Em outra carta, os Ummitas reconhecem também que sua civilização seria menos desenvolvida do que a humanidade terrestre em pintura e escultura.
Família, educação e sexualidade
A educação infantil descrita nas cartas combina forte presença familiar nos primeiros anos com uma separação posterior bastante radical.
Por volta dos 13,7 anos terrestres, os jovens seriam enviados para uma espécie de escola-colônia ou universidade denominada UNAWO UI. Durante a formação, normalmente não poderiam ver ou conversar diretamente com os pais. Estes, porém, seriam capazes de acompanhar os filhos através de sistemas tridimensionais de comunicação.
Antes dessa etapa, os pais participariam ativamente da educação, orientados quando necessário pela rede planetária de computadores. Imagens tridimensionais envolventes seriam utilizadas para adaptar o ensino à psicologia e às capacidades de cada criança.
A sexualidade é tratada de forma incomumente aberta para documentos produzidos na Espanha dos anos 1960. Segundo as cartas, reprodução e sexualidade não constituiriam assuntos proibidos ou vergonhosos. A educação sexual começaria antes da adolescência e estaria associada tanto à biologia quanto à espiritualidade. A reprodução seria vista como manifestação das leis de WOA, a divindade ou princípio criador de sua religião.
Até mesmo o beijo teria um significado completamente diferente: os lábios não seriam uma região eroticamente importante para eles, fazendo com que beijar parecesse mais um hábito estranho e pouco higiênico dos terrestres do que uma manifestação romântica.
O namoro e o casamento seriam extremamente estruturados, com análises de compatibilidade e participação das instituições educacionais. Os pais seriam informados da decisão, mas não escolheriam os parceiros dos filhos. A cerimônia matrimonial seria pequena e de caráter religioso e legal.
Há, entretanto, uma contradição social bastante reveladora. A mesma documentação que afirma conceder às mulheres direitos profissionais e políticos equivalentes aos dos homens descreve a vida conjugal como marcadamente patriarcal, atribuindo ao marido uma autoridade maior dentro de casa. Isso mostra mais uma vez que as cartas de Ummo não apresentam simplesmente uma sociedade ideal segundo os valores atuais — e também lembra que esses textos surgiram dentro de um contexto cultural muito específico do século XX.
Deus, alma e consciência na visão de Ummo
A espiritualidade ocuparia um lugar central na vida em Ummo. O princípio divino recebe o nome WOA, geralmente aproximado nos próprios textos a conceitos terrestres como Deus, Criador ou Gerador. Ciência e religião não seriam consideradas campos rivais: compreender a natureza significaria também estudar a obra de WOA.
Dentro de sua história religiosa aparece ainda UMMOWOA, personagem que teria surgido durante um período particularmente turbulento da civilização e desenvolvido uma doutrina espiritual que transformaria profundamente aquela sociedade. Pela função que ocupa nessa tradição, ele é frequentemente comparado a uma figura messiânica semelhante a Jesus na história terrestre.
O conceito de alma recebe formas como BUAUAA ou BUAWAA, dependendo da carta e da transcrição. Textos posteriores desenvolvem uma visão peculiar sobre aquilo que aconteceria depois da morte: o cérebro e suas memórias físicas deixariam de funcionar, mas a informação acumulada durante a vida não desapareceria por completo. Ela permaneceria relacionada à alma individual e a uma espécie de consciência coletiva, com a qual cada indivíduo estaria conectado.
Essa visão espiritual se mistura a uma cosmologia muito mais ampla. As cartas descrevem um universo formado por múltiplas dimensões e até diferentes estruturas cósmicas coexistentes. Nesse modelo aparecem os IBOZOO UU, apresentados como elementos fundamentais da realidade — não exatamente partículas, mas componentes de uma espécie de rede cuja organização estaria por trás de fenômenos como matéria, espaço, tempo e energia. Para os autores das cartas, essa mesma visão da realidade ajudaria a aproximar física, consciência e espiritualidade dentro de uma única concepção do universo.
Ciência, idioma e as naves de Ummo
O idioma ummita tornou-se uma das características mais reconhecíveis do caso. Palavras como WOA, OEMII, XAABI, XANMOO, BUUAUAA e IBOZOO UU aparecem repetidamente nas cartas, muitas vezes acompanhadas de longas explicações sobre sua pronúncia e significado.
Os supostos expedicionários afirmavam ter aprendido inicialmente idiomas terrestres após sua chegada à França e, posteriormente, conseguido comunicar-se com facilidade em espanhol, francês e outras línguas. A estranheza de extraterrestres escreverem um espanhol tão elaborado chegou a ser questionada pelos próprios destinatários das cartas.
As naves recebiam denominações como OAWOOLEA UEWA OEMM e eram descritas como objetos lenticulares ou discoidais, com cúpula superior, estrutura central e uma espécie de anel equatorial. Os textos chegam a fornecer esquemas internos, mas afirmam deliberadamente omitir informações que poderiam permitir aos terrestres reproduzir essa tecnologia.
O mecanismo das viagens interestelares estaria relacionado à chamada inversão dos IBOZOO UU. Em termos bastante simplificados, a nave não precisaria atravessar todo o espaço intermediário da maneira convencional: sua matéria passaria para outro sistema tridimensional ou para outro estado da própria estrutura do cosmos.
Essas explicações nunca foram demonstradas e utilizam uma terminologia própria, sem correspondência direta com a física conhecida. Ainda assim, são uma parte interessante da história de Ummo, pois mostram como ideias envolvendo múltiplas dimensões e diferentes formas de atravessar o espaço já eram desenvolvidas com grande complexidade nas cartas da década de 1960.
Quando Ummo apareceu na Terra
A história de Ummo na Terra pode ser contada a partir de duas cronologias. Segundo a narrativa das próprias cartas, seis exploradores teriam desembarcado perto de La Javie, no sul da França, às 4h17 de 28 de março de 1950, utilizando uma nave lenticular. Com o tempo, outros integrantes da expedição teriam chegado à Terra, e bases de operação teriam sido estabelecidas em Adelaide, na Austrália, e Berlim Ocidental.
Nos registros públicos conhecidos, porém, o nome Ummo surge apenas em 1966. A primeira menção localizada até hoje aparece no número de 16 de fevereiro daquele ano do semanário barcelonês Por qué, em uma entrevista com Fernando Sesma. Um mês depois, em 19 de março, Sesma começou a publicar na revista Diez Minutos uma longa série dedicada ao suposto planeta e às informações que afirmava estar recebendo.
A partir daí, o caso cresceu rapidamente. As cartas passaram a chegar não apenas a Sesma, mas também a outros participantes das reuniões ufológicas de Madri e, posteriormente, a pesquisadores e correspondentes de outros países. Aos poucos, Ummo deixou de ser apenas o nome mencionado por um contactado espanhol e passou a envolver uma extensa rede de cartas, relatos e pessoas interessadas no caso.
Em 1º de junho de 1967, Ummo ganhou seu episódio visual mais famoso. Nos meses anteriores, algumas cartas haviam anunciado a possível chegada de uma nave a uma região próxima de Madri. Naquela tarde, um objeto foi relatado em diferentes pontos do sudoeste da capital espanhola, e fotografias de um disco exibindo o conhecido símbolo de Ummo apareceram na imprensa no dia seguinte. Foi o momento em que, para o grande público, Ummo deixou de ser apenas uma história contada por cartas e ganhou uma imagem concreta — justamente o episódio que, décadas mais tarde, se tornaria também uma das maiores fragilidades do caso.
A grande controvérsia: José Luis Jordán Peña
Nenhum artigo sério sobre Ummo pode ignorar José Luis Jordán Peña. Presente no ambiente ufológico espanhol desde os primeiros anos do caso, Peña foi gradualmente se tornando o principal suspeito de ter participado da fabricação de pelo menos uma parcela importante do fenômeno.
Em abril de 1993, duas cartas enviadas a Rafael Farriols, datadas dos dias 6 e 8, registraram o primeiro reconhecimento comprovado de Peña sobre seu envolvimento. Posteriormente, ele se apresentou publicamente como autor do caso e afirmou ter concebido Ummo como um experimento sobre a credulidade humana.
Outro golpe importante ocorreu quando o jornalista Manuel Carballal reproduziu as célebres fotografias de San José de Valderas utilizando uma pequena maquete suspensa por uma vara de pesca. A experiência demonstrou que imagens praticamente equivalentes poderiam ser produzidas por meios simples. São evidências importantes e devem ser levadas seriamente em consideração.
Ao mesmo tempo, a própria história do caso apresenta uma nuance interessante. José Juan Montejo, um dos pesquisadores que mais extensamente reconstruiu a cronologia de Ummo, declara-se cético quanto à alegada origem extraterrestre das cartas, mas considera pouco provável que Peña tenha produzido sozinho todo o material atribuído a Ummo. As explicações dadas pelo próprio Peña em diferentes momentos também apresentaram contradições.
Isso não significa que o restante do material passe a ser uma comunicação extraterrestre. Significa apenas que duas perguntas precisam permanecer separadas: existem fortes evidências de fraude e fabricação humana no caso Ummo? Sim. Foi demonstrado que uma única pessoa produziu, sozinha, cada documento posteriormente atribuído a Ummo? Não com a mesma segurança.
Essa distinção é importante para Nações Estelares. Investigar uma narrativa não exige acreditar nela — e reconhecer uma fraude em partes do caso não nos obriga a simplificar uma história documental extraordinariamente complexa.
Elena Danaan e uma nova geração de Ummitas
Quando Elena Danaan publicou A Gift from the Stars em 2020, Ummo já possuía mais de meio século de história. Sua obra acrescentou uma nova camada à tradição, preservando alguns elementos das cartas antigas, mas inserindo os Ummitas em uma cosmologia galáctica muito mais ampla.
Danaan mantém elementos fundamentais da narrativa anterior: o planeta Ummo, o sistema Wolf 424, a aparência predominantemente humana, as naves discoidais e, sobretudo, o interesse pela ciência terrestre. Ao mesmo tempo, acrescenta uma genealogia galáctica completamente nova. Segundo ela, os Ummit teriam vínculos ancestrais com os Ahel e Noor de Lyra, além de populações humanoides de Vega. Sua principal característica física seria a testa alta, e sua expectativa de vida alcançaria aproximadamente duzentos anos.
Em The Seeders, publicado em 2022, essa genealogia é ampliada ao reunir Ummit e Meton em um subgrupo genético derivado das antigas populações de Lyra, associado respectivamente a Wolf 424 e Proxima Centauri.
É principalmente na função atribuída aos Ummitas que aparece uma continuidade notável com a tradição antiga. Danaan os coloca trabalhando com a Federação Galáctica dos Mundos em programas destinados a desenvolver a ciência terrestre. Em vez de apresentar tecnologias abertamente a governos ou transformar nossa sociedade de forma repentina, eles transmitiriam conhecimentos a civis e profissionais tecnicamente preparados, permitindo que novas ideias fossem gradualmente incorporadas à ciência, à educação e às tecnologias ambientais.
Em suas transcrições posteriores, ela volta a descrevê-los como especialistas na transmissão de conhecimento e tecnologia, mencionando áreas como energia, medicina e desenvolvimento tecnológico.
Essa é talvez a conexão mais interessante entre duas tradições separadas por cinquenta anos. Os Ummitas dos anos 1960 supostamente enviavam informações científicas discretamente a indivíduos selecionados. Os Ummitas de Danaan fariam, essencialmente, o mesmo trabalho, mas agora integrados a uma estrutura política galáctica e a uma genealogia derivada de Lyra.
A continuidade funcional é evidente. A explicação cosmológica é nova.
Entre documento, mito e possibilidade
Ummo ocupa uma posição rara na história da ufologia. É simultaneamente a descrição de uma civilização extraterrestre, uma enorme coleção documental, um caso clássico de investigação ufológica, um possível experimento cultural e um exemplo de como uma narrativa pode continuar crescendo muito depois de ter sido colocada sob suspeita.
Se as cartas fossem inteiramente uma construção humana, seus autores não inventaram apenas extraterrestres. Inventaram casas, refeições, escolas, instituições políticas, aromas, famílias, palavras, religiões, cosmologias, máquinas e até defeitos para aquela sociedade. Se existisse algo além disso, a história se tornaria evidentemente ainda mais extraordinária.
Curiosamente, os próprios autores das cartas pareciam compreender esse dilema. Em 1967, diante das dúvidas de um de seus correspondentes, defenderam que o ceticismo era uma reação legítima e que uma afirmação extraordinária deveria ser analisada antes de ser aceita. Outra carta chega a reconhecer que, diante de um relato sem meios de comprovação, suspeitar de fraude é perfeitamente razoável.
Talvez essa seja a melhor forma de encerrar nossa viagem por Ummo. A polêmica do caso e a enorme quantidade de material que ele produziu são também um convite a exercitar o senso crítico.
O mais interessante é explorar as possibilidades, estudar, comparar e conservar uma dúvida saudável, sem reduzir tudo de imediato a uma escolha entre verdade e mentira.