Poucas figuras se tornaram tão reconhecíveis no imaginário extraterrestre quanto o pequeno ser de pele acinzentada, cabeça grande e enormes olhos negros. Durante décadas, cinema, televisão, livros e relatos de abdução transformaram esse rosto em praticamente um símbolo universal do alienígena.
Mas “Grey” não é necessariamente o nome de uma única espécie. Nas tradições contactistas modernas, diferentes povos podem compartilhar essa aparência sem pertencer à mesma civilização, ter a mesma origem ou agir da mesma maneira. E entre todos eles existe um grupo especialmente ligado a um dos nomes mais famosos da ufologia: os Xrog, associados ao sistema de Zeta Reticuli.
Também associados ao nome Shamtbahali em diferentes momentos da obra de Elena Danaan, eles aparecem conectados a alguns dos temas mais conhecidos — e controversos — da ufologia moderna: Roswell, abduções, experimentos genéticos, consciência coletiva e a presença de diferentes grupos Grey atuando junto à humanidade.
Conhecer os Xrog, portanto, é também começar a descobrir que o universo dos chamados Greys pode ser muito mais complexo do que aquele rosto que todos pensamos conhecer.
Zeta Reticuli não é o nome de uma raça
Antes de conhecer os Xrog, existe uma distinção fundamental: Zeta Reticuli é um sistema estelar, não o nome de uma espécie extraterrestre.
Localizado a cerca de 39 anos-luz da Terra, na constelação de Reticulum, trata-se de um sistema binário formado por duas estrelas semelhantes ao Sol. Mas seu nome se tornou mundialmente conhecido não pela astronomia, e sim pela ufologia.
Uma das raízes dessa história está no caso de Betty e Barney Hill, ocorrido em 1961. Durante sessões posteriores de hipnose, Betty desenhou de memória um mapa de estrelas que dizia ter visto durante sua suposta experiência a bordo de uma nave. Ela própria, porém, não identificou aquele mapa como Zeta Reticuli.
A associação veio depois. A astrônoma amadora Marjorie Fish construiu modelos tridimensionais de estrelas próximas tentando reproduzir o desenho de Betty e propôs Zeta Reticuli como uma possível correspondência. A hipótese ganhou enorme divulgação depois que Terence Dickinson publicou “The Zeta Reticuli Incident” na revista Astronomy, em 1974.
A interpretação foi contestada e nunca se tornou uma identificação astronômica aceita. Mas culturalmente o efeito já estava feito: Zeta Reticuli passou a ocupar um lugar especial no imaginário dos Greys.
Com o tempo, expressões como “Zetas” ou “Greys de Zeta Reticuli” passaram muitas vezes a ser usadas como se descrevessem uma única raça. Dentro da cosmologia de Elena Danaan, porém, isso seria incorreto.
Os Xrog são apenas um dos povos associados a Zeta Reticuli. Outras populações, como os Do-Hu e os Eben de Serpo, também aparecem ligadas a essa tradição e possuem histórias próprias.
É exatamente por isso que, em Nações Estelares, não tratamos “Zeta Reticuli” como uma espécie. Aqui nosso foco é um povo específico: os Xrog.
Antes dos Xrog
Quando Elena Danaan publicou o nome Xrog em 2020, o pequeno Grey já carregava décadas de histórias, imagens e relatos.
Nos anos 1980, autores como Budd Hopkins e David M. Jacobs ajudaram a consolidar a associação entre pequenos Greys, abduções, procedimentos médicos, reprodução e possíveis programas de hibridização. Em 1987, Communion, de Whitley Strieber, acrescentou outro elemento decisivo: o rosto quase sem nariz e dominado por enormes olhos negros criado por Ted Seth Jacobs para a capa se tornou uma das imagens mais reconhecíveis do Grey na cultura popular.
Essas interpretações permanecem controversas e sem comprovação científica, mas mostram algo importante: abdução, genética e hibridização já estavam fortemente ligadas ao arquétipo Grey décadas antes dos Xrog receberem esse nome.
Existe ainda um antecedente muito mais próximo da narrativa que encontramos posteriormente em Danaan. Antes de A Gift from the Stars, já circulava uma compilação conhecida como Alien Races Book, ou “Russian/KGB Book of Alien Races”. Sua alegada origem nos serviços secretos soviéticos nunca foi comprovada de maneira independente, por isso o material precisa ser tratado com cautela.
Nele aparece uma entrada chamada “Zeta Reticulai (aka Shamtbhala)”, associando seres de Zeta Reticuli aos Anunnaki e à criação de uma linhagem com aparência mais humanoide. Alguns desses mesmos elementos reaparecem depois na descrição dos Shamtbahali de Xrog em A Gift from the Stars.
E essa ligação não precisa ser tratada como uma influência escondida. A própria Danaan relata ter recebido e consultado um documento atribuído aos serviços secretos russos durante a preparação de seu catálogo, afirmando que posteriormente o revisou com Thor Han e acrescentou a ele informações provenientes de seus próprios contatos.
O pesquisador Joost, do Galactic Anthropology, também investigou a relação entre esse material anterior e A Gift from the Stars, ajudando a chamar atenção para várias correspondências entre os dois.
Isso não significa que os Xrog sejam simplesmente uma cópia do que veio antes. O nome Xrog, os planetas gêmeos, a consciência-colmeia e grande parte da história específica desse povo pertencem ao desenvolvimento muito mais amplo da cosmologia de Danaan.
Mas uma coisa fica clara: algumas das peças já estavam sobre a mesa antes dela.
Quem são os Xrog?
Em A Gift from the Stars, Elena Danaan descreve os Xrog como uma população de Small Greys, os pequenos Greys clássicos, ligados a dois mundos do sistema de Zeta Reticuli.
Fisicamente, apresentam muitas das características que se tornaram familiares na cultura popular: corpo pequeno e muito magro, pele acinzentada, crânio volumoso e olhos negros extremamente grandes.
Danaan, porém, acrescenta detalhes mais específicos. O rosto dos Xrog seria mais ósseo e marcado do que o de outros pequenos Greys, com uma estrutura facial menos arredondada. As mãos possuiriam quatro dedos, e sua constituição genética teria características que a autora relaciona também a antigas linhagens insetoides.
Apesar da aparência frágil, não seriam fisicamente tão delicados quanto parecem.
Outro detalhe interessante é a roupa. Diferentemente do Grey quase sempre representado nu pela cultura popular, os Xrog biológicos são descritos utilizando uniformes negros, enquanto determinados indivíduos exibiriam marcações prateadas relacionadas à posição ou função que ocupam.
Sua principal forma de comunicação seria telepática, embora também fossem capazes de produzir pequenos sons com a garganta. Mas sua característica mais extraordinária talvez não esteja no corpo, e sim na maneira como pensam.
Uma civilização-colmeia
A sociedade Xrog é descrita como profundamente coletiva. Seus integrantes estariam conectados através de uma consciência-colmeia, formando uma rede mental na qual informações, comandos e decisões poderiam circular de maneira praticamente instantânea.
No centro dessa estrutura existiria uma consciência central, comparável à rainha de uma colmeia. Cada indivíduo continuaria desempenhando suas próprias funções, mas permaneceria mentalmente conectado a uma estrutura maior, da qual dependeria boa parte de sua experiência de identidade e pertencimento.
Não se trata apenas de uma civilização que valoriza a coletividade acima do indivíduo. No caso dos Xrog, a própria experiência de identidade estaria profundamente integrada à rede.
Essa forma de organização, porém, não seria exclusiva dos Xrog. Outros povos Grey descritos na cosmologia de Danaan também funcionariam através de consciências-colmeia, e algumas dessas redes chegariam a formar estruturas coletivas ainda maiores.
Para um ser humano, acostumado a pensar na consciência individual como algo inseparável da própria existência, essa forma de organização pode parecer extrema. Para os Xrog, porém, estar conectado à colmeia seria simplesmente a maneira normal de existir.
Emoções, relações pessoais, autonomia, decisões individuais e até a própria ideia de solidão teriam, portanto, significados muito diferentes em uma sociedade na qual cada integrante funciona como parte de uma estrutura mental maior.
Mundos transformados para sobreviver
Em The Seeders, Danaan apresenta uma conversa que afirma ter mantido com um Xrog biológico capturado pela Federação Galáctica dos Mundos.
Nesse relato, os mundos Xrog são descritos como frios e extremamente hostis, sem uma atmosfera respirável como a terrestre.
Em vez de adaptar o ambiente às necessidades de seus corpos, essa civilização teria seguido o caminho contrário: modificou geneticamente a própria espécie para sobreviver ao ambiente.
Uma das mudanças mais radicais teria sido a eliminação da necessidade de respirar.
A lógica apresentada é pragmática. Uma espécie capaz de sobreviver em ambientes muito diferentes precisaria de menos infraestrutura para colonizar outros mundos, operar em regiões perigosas ou realizar longas missões.
É uma ideia que combina com a imagem geral dos Xrog na narrativa: uma civilização que teria colocado eficiência, adaptação e expansão acima da preservação de sua biologia original.
Até mesmo seus dois mundos seriam conectados por enormes estruturas artificiais, indicando uma sociedade capaz de transformar o próprio ambiente em escala planetária.
Biológicos, híbridos e sintéticos
Uma das maiores fontes de confusão nos relatos sobre pequenos Greys está no fato de seres quase idênticos serem descritos desempenhando funções muito diferentes.
Na cosmologia de Danaan, existe uma possível explicação: nem todo pequeno ser de aparência Grey associado a uma operação Xrog seria necessariamente um Xrog biológico.
Os relatos distinguem indivíduos biológicos originais, subespécies híbridas e clones sintéticos criados para determinadas tarefas. Além disso, diferentes povos Grey poderiam atuar juntos numa mesma operação.
Essas unidades sintéticas poderiam atuar em operações repetitivas, ambientes perigosos ou situações nas quais perder um organismo biológico representaria um custo desnecessário.
Isso cria uma leitura curiosa para relatos clássicos de abdução nos quais testemunhas descrevem pequenos seres praticamente idênticos trabalhando de maneira mecânica enquanto outro indivíduo parece supervisionar o procedimento.
Dentro dessa cosmologia, aquilo que parece um grupo homogêneo poderia, na realidade, reunir seres biologicamente diferentes cumprindo funções diferentes.
E essa distinção se torna particularmente importante quando chegamos a uma das histórias mais famosas da ufologia.
Roswell e o Grey que conquistou o mundo
Em julho de 1947, algo caiu próximo à cidade de Roswell, no Novo México.
A explicação oficial posterior do governo norte-americano relaciona os destroços recuperados ao Projeto Mogul, um programa secreto que utilizava balões para monitorar possíveis testes nucleares soviéticos.
Mas Roswell se transformou em algo muito maior.
Ao longo das décadas seguintes, surgiram relatos sobre corpos não humanos, naves recuperadas, operações militares clandestinas e sobreviventes mantidos sob custódia. Nenhuma dessas versões foi comprovada de maneira independente, mas o episódio se tornou provavelmente o caso de suposto acidente extraterrestre mais famoso da história.
Dentro da cosmologia de Elena Danaan, os Xrog aparecem ligados diretamente ao episódio. Em sua narrativa mais recente, porém, a história se torna ainda mais específica.
Danaan afirma que teriam sido duas naves Xrog derrubadas no Novo México. Seus ocupantes seriam Do-Hu sintéticos, com uma única exceção: um Xrog biológico, descrito como o capitão que teria sobrevivido e sido capturado pelas autoridades terrestres.
Os Do-Hu não seriam simplesmente “outros pequenos Greys”. Danaan os descreve como uma cultura também originária de Zeta Reticuli e relacionada aos Xrog, posteriormente assimilada e geneticamente modificada pelo Nebu, uma poderosa estrutura de povos Grey ligada a Órion. Dentro dessa narrativa, os próprios Xrog utilizariam unidades Do-Hu sintéticas em determinadas operações.
Roswell, portanto, não seria simplesmente a história de “uma nave cheia de Greys”, mas um episódio envolvendo dois povos diferentes de Zeta Reticuli e diferentes tipos de organismos.
Nada disso altera o que pode ser estabelecido historicamente sobre o caso. A ligação entre Roswell, Xrog e Do-Hu pertence à cosmologia de Danaan e não possui comprovação independente.
O misterioso Domain
Outra narrativa anterior que Elena Danaan aproxima dos Xrog aparece em Alien Interview, livro publicado por Lawrence Spencer em 2008.
A obra apresenta supostas anotações atribuídas a uma enfermeira militar chamada Matilda O’Donnell MacElroy, que teria mantido comunicação telepática com um sobrevivente de Roswell conhecido como Airl.
A autenticidade histórica desse material nunca foi demonstrada, e o livro deve ser tratado como parte da literatura ufológica.
A ligação com os Xrog, porém, é feita pela própria Danaan. Em The Seeders, ela dedica uma seção aos Shamtbahali e ao Domain e apresenta Alien Interview como uma das fontes utilizadas nessa comparação.
Danaan chama atenção para paralelos como pequenos corpos Grey, diferentes tipos de seres atuando numa mesma operação, uma estrutura expansionista e referências a antigas instalações no Himalaia.
Airl também descreve uma organização chamada Domain, que Danaan aproxima do grupo que, em sua própria cosmologia, chama de Nebu, também referido como Dominion em parte de seu material.
Isso não significa que Alien Interview confirme os Xrog, nem que Domain e Nebu sejam necessariamente a mesma coisa. O que temos é algo igualmente interessante: uma autora contemporânea utilizando conscientemente uma narrativa ufológica anterior e reinterpretando-a dentro de uma cosmologia maior.
Dos Anunnaki ao Nebu
As alianças atribuídas aos Xrog também mudam ao longo da narrativa.
Em A Gift from the Stars, os Shamtbahali aparecem ligados aos Anunnaki, inclusive em programas genéticos.
Em The Seeders, porém, o eixo político já é outro. No diálogo atribuído ao Xrog capturado, ele afirma que seu povo não trabalhava mais diretamente para os Anunnaki e indica sua ligação naquele momento com o Nebu.
Na cosmologia de Danaan, Nebu é o nome dado a um antigo império ou coletivo expansionista de povos Grey associado principalmente à região de Órion. Sua estrutura seria liderada pelos Eban de Betelgeuse — um povo de Tall Greys distinto dos Eben de Serpo — e organizada em torno de consciências-colmeia, incorporando ou subordinando outras culturas ao longo de sua expansão. Em parte do material da autora, o Nebu também aparece referido como Dominion.
Dentro da própria narrativa, portanto, as alianças dos Xrog teriam mudado ao longo do tempo. Mais do que uma civilização isolada em torno de duas estrelas distantes, eles aparecem como participantes de uma rede política muito maior.
Os Xrog também integrariam a chamada Aliança dos Seis. A composição dessa organização mudou ao longo da obra de Danaan, mas, em sua formulação posterior, os seis integrantes são apresentados como Nebu, Xrog, Kiily-Tokurt, Maytre, Ciakahrr e Solipsi Rai.
Em materiais anteriores, alguns povos que compunham o Nebu apareciam nomeados separadamente entre os integrantes da aliança. A mudança parece refletir uma reorganização da própria classificação utilizada pela autora ao longo dos anos.
Abduções e programas genéticos
A relação dos Xrog com a humanidade é descrita de maneira bastante diferente daquela atribuída a povos como os Ohorai ou os Laan. Aqui não encontramos principalmente ensinamentos espirituais, intercâmbio cultural ou observação distante, mas abduções, experimentação genética e operações clandestinas.
Como vimos, esses temas não começam com Danaan. Já faziam parte da literatura de abdução décadas antes. A novidade da cosmologia Xrog está em atribuir parte desses programas a um povo específico de Zeta Reticuli, integrando essas atividades a uma estrutura galáctica maior e distinguindo indivíduos biológicos, híbridos e sintéticos.
Em The Seeders, os Xrog aparecem novamente no chamado Repertório dos 22 Genomas, uma lista de contribuições extraterrestres que, segundo a narrativa, teriam participado da formação genética da humanidade terrestre.
Na posição 22, denominada “Grays”, aparecem reunidos vários povos Grey, entre eles os Xrog.
É importante notar que essas 22 posições não correspondem necessariamente a 22 espécies individuais. Algumas entradas agrupam diferentes povos dentro de uma mesma categoria genética.
Naturalmente, não existe comprovação científica de que populações extraterrestres tenham participado da formação genética humana. Estamos acompanhando aqui a lógica interna da cosmologia apresentada pela autora.
Shamtbahali: um nome com uma história
Xrog não é o único nome pelo qual esse povo aparece. Em diferentes momentos da obra de Elena Danaan encontramos também a denominação Shamtbahali.
O termo possui uma sonoridade imediatamente familiar para quem conhece a tradição de Shambhala, o lendário reino oculto associado às regiões da Ásia Central e do Himalaia.
Como vimos, uma forma muito próxima do nome já aparecia ligada a Zeta Reticuli no Alien Races Book. Dentro da cosmologia de Danaan, porém, existe uma explicação própria para essa denominação.
Em The Seeders, o Xrog interrogado teria afirmado que Shamtbahali não era o verdadeiro nome de sua estrela. O termo teria sido dado por humanos terrestres em razão de uma antiga presença Xrog nas grandes montanhas do Himalaia.
A partir daí, Danaan aproxima essa história da tradição de Shambhala.
Não existe evidência arqueológica reconhecida que relacione extraterrestres a Shambhala ou a instalações Xrog no Himalaia. Mas a conexão é interessante porque une duas tradições aparentemente muito distantes: o antigo imaginário de reinos ocultos nas montanhas e o moderno arquétipo tecnológico dos Greys.
O rosto conhecido e a história desconhecida
Existe algo curioso nos Xrog: antes mesmo de conhecer seu nome, quase todos já conhecemos seu rosto.
O pequeno Grey está presente no cinema, na televisão, em livros, desenhos, videogames e relatos ufológicos há décadas. Tornou-se tão familiar que muitas vezes deixamos de perguntar de onde veio aquela imagem ou quantas histórias diferentes foram reunidas sob ela.
Os Xrog representam uma tentativa contemporânea de dar identidade, origem, cultura e história a uma parte desse enorme arquétipo.
Nada disso possui confirmação científica, mas estudar essas histórias não exige tratá-las como fatos comprovados. Exige separar as fontes, compreender como cada narrativa surgiu e perceber onde diferentes tradições começaram a se encontrar.
Quando fazemos isso, o pequeno Grey deixa de ser apenas um arquétipo do imaginário popular e finalmente ganha um nome: Xrog.